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Folha de SPFust e Windows Luís Nassif
29.Ago.01
Debate dos mais relevantes é sobre a questão dos softwares abertos (tipo Linux) ou fechados (tipo Windows, da Microsoft) nas licitações abertas pela Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para a integração das escolas públicas na internet com recursos do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações).Ontem apresentei a posição de Renato Guerreiro, da Anatel, que considera que, para equipamentos educativos, o Windows é o mais adequado, até por suportar aplicativos em Windows e Linux; e, para equipamentos de atendimento, o Linux, por ser gratuito. A posição foi tirada de uma reunião entre todos os secretários da Educação do país.
A propósito desse tema, recebo e-mail de Carlos Rocha, discordando da escolha do Windows. Diz ele:"A educação, nos países desenvolvidos, está seguindo, aceleradamente, o caminho da convergência para se tornar disponível a todos, a qualquer hora e em qualquer lugar. (...) Nosso aluno deve ser educado para aprender a criar, decidir, criticar, e isso só pode ser alcançado por meio da exposição à diversidade de alternativas. Se o aluno só conhece uma solução, não tem como comparar, avaliar e decidir. Mantida a especificação atual, teremos milhões de jovens formados, e assim as empresas e o país, como consumidores de uma só empresa, sem a opção da escolha. Todos terão que pagar uma mensalidade permanente, para usar computadores".
"O Departamento de Justiça do governo dos Estados Unidos, junto de advogados-gerais de 20 Estados americanos, processou a Microsoft (...), e o Congresso norte-americano apresentou o programa "O Poder da Internet para a Educação: Movendo da Promessa para a Prática", para a educação via web independentemente de produtos proprietários. (...) É emblemática a diferença de postura."
"Peço espaço, na sua coluna, para que possa ocorrer o debate democrático."
Assim como no caso da licitação da FAB, o espaço está à disposição para o debate, embora, dado o pedaço restrito da coluna, o mais adequado seja a imprensa em geral abrir espaço para essa discussão. A questão a ser aprofundada é: será possível, no âmbito de uma política educacional pública para uso da Internet, montar um programa que prescinda do Windows? No caso dos aplicativos tipo Office, eu mesmo defendi aqui políticas alternativas. No caso do sistema operacional, a discussão é mais ampla e, para o uso exclusivo de sistemas abertos, supõe uma massa crítica de aplicativos que talvez não exista disponível em outros sistemas. Seria possível o amplo desenvolvimento no ambiente internet sem passar pelo Windows?
Esse é o tema proposto.
Luís Nassif é jornalista e escreve esta coluna, na Folha de São Paulo, e vários outros jornais.
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